Psicofisiologia na gestão do estresse ocupacional
Assim como atletas, profissionais necessitam de estratégias de enfrentamento e autodomínio 20/09/2017 12:06
» Silvio Aguiar
Quando o assunto é peak performance (desempenho máximo) a primeira imagem que nos vem à mente é de um atleta de alto nível. No cenário do alto rendimento, as Ciências do Esporte realizam pesquisas constantes na busca de metodologias e processos de treinamentos, com o objetivo de desenvolver programas ideais de preparação física, técnica, tática e, principalmente, psicológica, que garantam o desempenho ótimo dos atletas nos momentos competitivos. Profissionais de diversas áreas também colaboram na elaboração desses programas de treinamento. Essa integração tem garantido a crescente evolução dos métodos de preparação. Mas não é só no esporte que encontramos a busca pelo desempenho máximo. No mundo corporativo, no dia a dia profissional, vivenciamos uma competitividade tão acirrada quanto no cenário esportivo, expondo o trabalhador à estressores ocupacionais muito próximos dos que incidem sobre os atletas.

Assim como os atletas esportivos, os "atletas corporativos" enfrentam medo e ansiedade, porém, com o agravante das incertezas diárias, fruto do mercado e da garantia de permanência no emprego. O estresse ocupacional atua de forma constante, muitas vezes não claramente percebido pelo trabalhador, causando redução significativa na qualidade de vida, com consequências psíquicas e somáticas. As estatísticas são assustadoras. Programas de gerenciamento do estresse no trabalho estão no topo das preocupações das organizações em todo mundo. Conforme dados da International Stress Management Association (ISMA), em 2005 o Brasil tinha cerca de 20 milhões de trabalhadores enfrentando algum tipo de problema causado pelo estresse ocupacional, número que cresce na mesma proporção das incertezas do cenário econômico globalizado. Pesquisa da ISMA-BR, realizada em 2015, indica que 72% dos trabalhadores brasileiros sofrem de algum transtorno mental e/ou comportamental devido ao alto nível de stress que experienciam.

Conforme a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da seção brasileira da ISMA, a queda do desempenho, a falta de concentração, as dores musculares, enxaqueca, irritação, problemas digestivos, doenças cardiovasculares e o afastamento por transtornos de ansiedade e esgotamento físico e mental (burnout), são situações que estão correlacionadas ao fenômeno da exposição crônica aos estressores ocupacionais e geram, além dos prejuízos à saúde do trabalhador, um custo anual de 80 bilhões para as empresas brasileiras. A estimativa da ISMA-BR é 3,5% do PIB nacional anual.

Levando em consideração que uma parcela significativa dos estressores ocupacionais são provenientes do contexto extra organização, além das ações que visam a melhoria das condições de trabalho, é importante capacitar o "atleta corporativo" com estratégias de enfrentamento e autodomínio dos estados mentais/emocionais, valendo-se das mesmas técnicas e métodos que garantem a performance ótima dos atletas Olímpicos nos momentos críticos. Essa é a proposta do psicólogo Silvio Aguiar, fundador da Alfa Neurofeedback, especializado na elaboração de programas de treinamento das habilidades psicológicas para a Peak Performance, esportiva, acadêmica e profissional.

Segundo Aguiar, com base na Psicofisiologia Aplicada, existem hoje sistemas eficazes e de baixo custo que permitem o gerenciamento do estresse competitivo utilizando as técnicas de Biofeedback (BFK) e Neurofeedback (NFK).  "Assim como na preparação de atletas, partimos dos dados obtidos na avaliação inicial para elaboração de um protocolo individualizado de treinamento. Para a gestão do estresse, o BFK Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC) é o mais utilizado por analisar o equilíbrio da atividade de ativação (ramo Simpático) e relaxamento (ramo Parassimpático) do Sistema Nervoso Autônomo (SNA). Os indicadores fornecidos na avaliação de BFK VFC, além de mensurar o balanço autonômico individual, permitem mapear os setores e atividades na organização que apresentam maior incidência de colaboradores com desequilíbrio autonômico. Dessa forma, além de preparar o indivíduo para o enfrentamento das situações estressantes, a organização poderá implementar ações que melhorem as condições de trabalho e, por conseguinte, a saúde e o bem-estar dos seus colaboradores", esclarece. No dia 04 de outubro, em São Paulo, ele irá ministrar a palestra "As possibilidades da Psicofisiologia Aplicada na gestão do estresse organizacional".

Serviço
Data: 04 de outubro
Hora: das 9h30 às 11h30
Local: Mezanino do Paraíso Work Center - Rua Apeninos, 930, Vila Mariana - São Paulo/SP
Informações e inscrições pelo e-mail alfaneurofeedback@gmail.com

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