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Reforma trabalhista gera modernização
Presidente do Sintelmark defende que modelo vigente já não atendia sociedade e empresas 25/08/2017 02:41
» Andrés Enrique Rueda
Apesar da polêmica que causou, a reforma trabalhista vem cada vez mais sendo encarada como necessária. Mais do que tirar direitos, ela parece ter apenas posto no papel a garantia dos direitos. Tanto que um ponto colocado como fundamental dela é o fato de trazer segurança jurídica nas relações de trabalho, formalizando, de modo mais uniforme, as práticas já aplicadas em vários setores da economia, com reflexos diretos nas negociações e maior participação do conjunto de trabalhadores e dos sindicatos representativos das classes patronal e de empregados, segundo Andrés Enrique Rueda Garcia, presidente do Sintelmark, Sindicato Paulista das Empresas de Telemarketing, Marketing Direto e Conexos. "Nossa expectativa é que a medida reduza processos trabalhistas, já que, em tese, prioriza o relacionamento, os acordos, e gera oportunidades para a contratação, com condições que podem favorecer empresas e empregados, gerando maior modernização e dinamismo ao processo."

Claro que esse primeiro momento pede muita atenção. O próprio presidente do Sintelmark ressalta que, para a entidade patronal, a aplicabilidade da nova norma ainda está sendo avaliada com muito cuidado para que sejam garantidas não só as melhores práticas do trabalho no setor de contact center, como também, as funções das entidades representativas. Tanto que a entidade tem realizado encontros com a categoria representada, com o objetivo de levar informações e atualização constante sobre o tema. "Nossa área jurídica tem elaborado uma minuciosa apreciação das mudanças previstas, que devem trazer grandes impactos para a atividade. De todo modo, sabemos que o novo traz riscos e oportunidades. Nosso papel é apresentar estas perspectivas ao setor e prepará-los para este novo modelo. É o que temos feito com bastante intensidade", reforça Rueda, acrescentando que o Sintelmark chegou, inclusive, a criar um Cômite permanente para dar suporte aos associados.

Em entrevista exclusiva ao portal Callcenter.inf.br, Rueda faz uma análise da reforma trabalhista, destacando os impactos na atividade e apontando as principais mudanças.

Callcenter.inf.br - O que realmente muda no mercado de contact center com a reforma trabalhista?
Rueda: Ainda não podemos mensurar, de forma taxativa, as mudanças que ocorrerão, eis que a norma deverá vigorar somente a partir de novembro, mas já é possível elencar alguns pontos constantes no texto aprovado, que sinalizam uma modernização na contratação de mão de obra e maior flexibilização, o que, para um setor que gera tantas oportunidades, e tem necessidades imediatas e latentes, pode significar agilidade. Para exemplificar alguns aspectos, poderia citar o teletrabalho e a jornada intermitente. O primeiro, se bem aplicado, pode trazer significativos ganhos para a atividade, com benefícios diretos ao trabalhador, sem impactar na qualidade do serviço. Já o segundo (jornada intermitente) é uma demanda de vários players do setor, que a princípio, poderão contratar por períodos específicos de pico de atividade. Os trabalhadores também terão seus diretos preservados e terão maior liberdade para negociar as condições de trabalho.
Claro que ainda precisamos aprofundar todas estas questões e continuar discutindo com o segmento, mas em um cenário econômico que carece de oportunidades, o modelo vigente já não atendia a sociedade e as empresas de forma satisfatória. Nosso papel, enquanto entidade representativa é estar à disposição das empresas para garantir o entendimento e a aplicação correta das novas regras, com informação e prudência. 

De que forma elas afetam as empresas?
Temos certeza de que as mudanças apresentadas na nova regulamentação, garantirão maior interação entre empregador e colaborador, já que em alguns aspectos as convenções coletivas ou acordos coletivos terão força de lei. Os trabalhadores contarão com representação interna nas empresas, que também favorecerá esta aproximação. De forma geral, há muitas mudanças que os gestores e os profissionais responsáveis pela contratação de pessoal precisam estar atentos para minimizar impactos nas organizações, tais como a possibilidade de fracionamento de férias, questões relacionadas ao deslocamento, jornada de trabalho e muitas outras, que deverão ser alvo de estudos e análises. 

As empresas devem tomar algum cuidado?
Não se trata de tomarem cuidado, mas sim, de tratarem com atenção especial a aplicação das novas regras, que têm como um dos fundamentos, a observância de que os acordos e convenções prevalecerão sobre o legislado. Isso requer atenção especial no setor de contact center, pois o setor possui especificidades distintas e já garantidas em normas regulamentadoras como, por exemplo, o Anexo II da NR 17. O Sindicato está à disposição da categoria para prestar esclarecimentos e dirimir dúvidas sobre tema tão relevante e ainda embrionário para o mercado.  

O que deve acontecer nesse mercado agora com as mudanças?
Entendemos que uma nova modalidade nas relações do trabalho deverá ser adotada. Um dos pontos que podemos destacar é a participação dos colaboradores nas comissões de representação dos empregados, cujo objetivo será o de representação, relacionamento, diálogo, busca de soluções, assegurar tratamento justo, encaminhar reivindicações, verificar cumprimento de leis e acompanhar negociações coletivas.
Um ponto bastante interessante e não menos importante se refere às relações sindicais. As entidades patronais e laborais, passam, a partir da vigência das novas regras trabalhistas, a terem um papel diferenciado, onde sua efetiva representatividade terá papel preponderante nas negociações, na orientação e atualização das categorias.

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