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A formação de novas líderes
Pesquisa aponta que ambições femininas caem conforme tentam alcançar cargos mais elevados 18/04/2017 04:01
As mulheres que atuam no universo corporativo enfrentam desafios semelhantes em todo o mundo. É o que aponta a Pesquisa Global Líderes & Filhas, divulgada pela empresa de consultoria suíça Egon Zehnder, especializada na identificação e no desenvolvimento de líderes. O estudo foi feito com sete mil mulheres de sete países - Alemanha, Austrália, Brasil, China, Estados Unidos, Índia e Reino Unido -, em fevereiro, com o objetivo de identificar as motivações, ambições e a definição de sucesso profissional.

Os resultados indicam um profundo e crescente sentimento de empoderamento e ambição entre as mulheres, mas isso até as executivas atingirem os níveis mais altos de gestão, no qual ainda enfrentam questões como preconceito por gênero e outros estereótipos. No quesito ambições profissionais, em nível global, o estudo revela que a maioria das mulheres nos primeiros estágios da vida profissional (74%) almejam cargos de liderança executiva, mas esse desejo cai sistematicamente (de 72% para 57%) entre as mulheres que ocupam posições de nível sênior ou superior, ou seja, que já têm vasta experiência profissional.

Esse nível de ambição varia entre os países, com as profissionais dos países em desenvolvimento desejando alcançar altos postos hierárquicos mais do que as mulheres das nações desenvolvidas. No Brasil, 92% das entrevistadas aspiram alcançar a liderança executiva - a seguir, vêm China (88%) e Índia (82%). Já nos Estados Unidos, esse índice fica em 62%, enquanto a Austrália registra 61%, a Alemanha, 58%, e o Reino Unido, 56%.

DESAFIOS
O levantamento também abordou os avanços e os desafios profissionais das mulheres no ambiente corporativo. As entrevistadas reportaram que são principalmente três os grandes obstáculos profissionais: ampliar seu conjunto de habilidades (32%), ter oportunidade para mostrar suas habilidades e seu potencial (29%) e equilibrar a vida pessoal e a profissional (27%). E, nos países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, as mulheres mencionaram mais frequentemente como problemas para o desenvolvimento da carreira questões como diferenciação por gênero e estereótipo que seguem sendo vinculados ao sexo feminino. 

Independentemente da experiência profissional, a pesquisa revela uma discrepância no modo como as mulheres experimentam o ambiente de trabalho. Embora, em geral, apenas 7% delas tenham relatado preconceitos de gênero ou estereótipos, quase metade das profissionais ouvidas (49%), quando perguntadas explicitamente sobre isso, disse acreditar que é mais difícil para as mulheres serem promovidas a cargos de gerência do que os homens. Essa crença também aumenta à medida que as entrevistadas ganham experiência e galgam postos mais altos nas empresas em que atuam, tendo como pico as profissionais que alcançam o nível sênior de gerência - 60% das gerentes de nível médio e acima acreditam que, a partir de onde estão, é mais desafiador ser promovida.

A ajuda (ou não) tida pelas executivas para se desenvolver dentro de uma empresa foi outro ponto abordado. Muitas entrevistadas disseram ter tido pouco apoio ou orientação à medida que ficaram mais maduras, mas as mulheres com cargos mais altos na hierarquia das companhias em que atuam reportaram usar essas ferramentas em larga escala. Isso sugere que se as mulheres não atingem um patamar profissional em certa idade, ou elas param de explorar esses recursos ou suas empresas já não os deixam disponíveis. Um dado importante nesse sentido é que 55% das mulheres relataram que puderam contar com um líder sênior que agiu como um "advogado" em seu nome. Isso se deu mais fortemente entre as jovens profissionais, com declínio entre as mulheres mais maduras, e também é uma ferramenta valiosa para as executivas "C-suite", aventando que o apoio e a confiança de alguém mais experiente são importantes para o sucesso profissional.

À parte o suporte e a orientação providos por algum líder da companhia, mais da metade das mulheres afirmaram que a organização para a qual trabalham lhes fornece ferramentas para que participem ativamente do planejamento de sua carreira. As ferramentas de planejamento da carreira corporativa como política de promoção e treinamento de carreira são usadas em maior grau, segundo as entrevistadas, na China, no Brasil e na Índia, ao passo que atinge níveis mais baixos nos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Austrália. Quase 9 em cada 10 mulheres ouvidas globalmente pelo estudo achavam que esses programas (normalmente um treinamento seguido de orientação, que ocorrem uma vez por mês ou a cada dois ou três meses) eram eficazes.

O estudo faz parte da ação "Líderes & Filhas - Cultivando a Próxima Geração de Mulheres Líderes", realizado pela Egon Zehnder em mais de 40 cidades de 25 países dos cinco continentes. "Nós acreditamos que líderes diversos e inclusivos criam um mundo melhor, onde organizações e economias não apenas crescem, mas prosperam", afirma o diretor-executivo da Egon Zehnder, Rajeev Vasudeva. "Com os eventos ´Líderes e Filhas´, nós esperamos encontrar soluções pragmáticas que sirvam de suporte às ambições profissionais de todas as mulheres, em qualquer lugar", completa.

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