Homenagem a quem merece
Com desafio da dupla jornada, mulheres provam na prática que podem ser excelentes profissionais, sem deixar de ser mães presentes 12/05/2018 12:03
Infelizmente, no Brasil ainda há uma cultura patriarcal muito forte e uma política empresarial que insiste na ideia de que as mulheres devem ser responsáveis pela criação dos filhos, deixando ao marido o encargo por trazer o sustento para casa. Ao invés de dar a opção para elas escolherem. Uma visão ultrapassada, mas que ainda se faz muito presente. No entanto, aos poucos esse quadro começa a mudar, com as mulheres provando na prática serem capazes de conciliar a vida pessoal e profissional. "Em alguns momentos, as situações parecem binárias, como se só pudéssemos ser mães presentes ou somente boas profissionais. Podemos, sim, exercer os dois papéis com maestria e somos plenamente capazes disso", afirma Ana Alice Limongi, diretora de desenvolvimento humano e organizacional da Neobpo.

Assim, a cada dia mais mães assumem o papel de protagonismo no meio empresarial, sem deixar de lado o cuidado com os filhos. "É inegável a capacidade que as mães possuem de exercerem inúmeras atividades simultâneas, conseguindo dedicar a cada uma delas o tempo e a atenção necessários, sem descuidar de nada", destaca Maria Leiro, diretora de operações da Tel e mãe de duas filhas. Na visão dela, essa característica, genuinamente feminina, traz, inclusive, um grande diferencial para as mulheres, ao ter múltiplas habilidades e foco em diferentes indicadores.

Ainda assim, há uma preocupação. Dados globais apurados pela PwC na pesquisa "Igualdade de gênero: o que ainda precisa mudar no ambiente de trabalho", revelam que 42% das participantes em mais de 60 países se preocupam com o impacto que começar uma família tem em suas carreiras. O medo tem fundamento: 48% das entrevistadas sentiram-se preteridas para promoções ou projetos especiais no retorno ao trabalho. Além disso, as políticas das empresas voltadas à flexibilização da jornada de trabalho para profissionais com filhos pequenos também encontram obstáculos: 38% das entrevistadas afirmam que utilizar estes programas tem consequências negativas em suas carreiras. Isso fico mais nítido quando comparado com os homens. Segundo pesquisa da Catho: 30% das mães já abriram mão do emprego após a chegada dos filhos, enquanto entre os pais o número é de apenas 7%. As mães também são mais pessimistas quanto ao crescimento na carreira. Quando questionadas, 60% delas avaliam suas perspectivas como ruins ou péssimas, contra 47% dos homens que têm filhos.

"Isso demonstra ainda uma percepção cultural de que as mulheres se envolvem mais na criação dos filhos do que os homens, por isso as limitações para elas seriam maiores. Uma maneira de equilibrar essa balança é que os homens também comecem a dividir de uma maneira mais igualitária as tarefas familiares", diz Simone Damazio, gerente de gente e gestão da Catho. As empresas também podem contribuir para melhorar esse quadro, segundo a executiva. "Uma estratégia que pode beneficiar as mulheres e os empregadores, por exemplo, é apoiar a paternidade ativa, com ações como licença estendida, abono para participação em reuniões escolares e afins. Permitir que o trabalho possa ser feito de casa, por home office, com horários mais flexíveis, especialmente nos primeiros anos de vida da criança, também ajuda", explica.

OPORTUNIDADE PARA AS MÃES
Um setor onde isso já acontece há um bom tempo é o de call center. Com o quadro de colaboradores das empresas da atividade sendo composta em sua maioria por mulheres, é comum o desenvolvimento de programas e ações específicas para esse público. A CSU é uma prova disso com o programa Gestação Saudável, que busca promover o bem-estar das gestantes, informando às futuras mães os cuidados a serem tomados, desde o pré-natal e nascimento do bebê, até a adaptação nos primeiros dias de vida e amamentação de forma saudável. "Este programa proporciona satisfação das colaboradoras no ambiente de trabalho, aumento na retenção de talentos, além de contribuir para melhoria na performance das colaboradoras gestantes", conta Renata Oliva Battiferro, diretora de relações com investidores e marketing institucional da CSU e mãe de dois filhos.

Além disso, o setor também é bastante atrativo para as mães por possuir uma carga horária menor e mais flexível. Isso permite, segundo Ana Alice Limongi, diretora de desenvolvimento humano e organizacional da Neobpo, que essas mulheres possam se desenvolver profissionalmente, apoiar na educação dos seus filhos e se tornarem seres humanos únicos. "Quem é mãe, como eu, sabe que essa é uma tarefa difícil muitas vezes, e o setor proporciona mais tranquilidade para as profissionais. Na Concentrix oferecemos auxílio creche até os 48 meses também com o objetivo de apoiar e incentivar as mamães", completa a gerente de marketing da Concentrix, Juliana Coutinho.

Foi em busca dessa flexibilidade que Daniela Oliveira, operadora de telemarketing ativo da Tel, escolheu o setor de call centerpara trabalhar. "Em razão da carga horária e da flexibilidade de horário, tenho mais oportunidade de estar com a minha filha. Os filhos precisam de amor, carinho, cuidado, atenção e eu consigo oferecer isso." Mãe de uma menina de quatro anos, ela conta que exercer a dupla jornada é uma situação complicada, mas "existe um esforço para oferecer o melhor aos filhos". Esse também é o caso de Ana Paula Arcanjo, que tem uma filha e atua como team leader na Concentrix. "É um grande desafio que é preciso enfrentar todos os dias, deixar o cansaço de lado e partir para a luta. Contudo, me sinto extremamente energizada quando chego em casa sabendo que tem alguém me esperando com os olhos brilhando ao me encontrar", conta. Ela revela que se sente feliz, sabendo que pode ser uma ótima profissional no mercado de trabalho e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade de vida da filha. "Me motivo todos os dias a dar o meu melhor por ela. Já faz parte da minha rotina executar várias atividades ao mesmo tempo e é isso que move minha mente e me faz sentir viva."

Outro exemplo é Maria Cecilia Aparecida de Paula, mãe de Isabela (14 anos) e Samuel (4), que, depois de onze anos dando aula como professora, decidiu trocar de profissão. "Optei pelo call center para conseguir ficar mais tempo com os meus filhos. O meu pequeno estava exigindo muito minha presença", explica a atendente da CSU, revelando também que a incentivadora maior para mudar de profissão foi sua mãe. "Ela sempre me falou para participar mais da vida dos meus filhos. Em sala de aula, sempre dei muito amor e atenção para os filhos dos outros, mas os meus estavam sentindo a minha falta", conta, emocionada.

Já no caso de Noeli Prestes da Silva a entrada no mercado se deu há 18 anos. Grávida na época que terminou a escola, ela se viu diante da necessidade de trabalhar para sustentar o filho. Noeli conta que, nos dias de hoje, ser mãe solteira é bem complicado, pois há a pressão da sociedade. Porém, na época isso era ainda mais difícil. "Tive o apoio da minha família, ainda assim vivi o julgamento de todos." Hoje, ela cria os dois filhos sozinha (financeiramente), apenas contando com a ajuda da mãe para ficar com a mais nova (Lavínia, 8 anos), enquanto trabalha. "Não é fácil, porém é extremamente gratificante. Ser mãe, independente de todas as responsabilidades e preocupações, é o maior presente de Deus."


Confira as matérias do especial:

Apesar dos desafios, mulheres se desdobram para conciliar trabalho e cuidado com filhos


Mulheres mostram que é possível ser mãe presente e ótima profissional



O reconhecimento às mães que lidam com o desafio de conciliar vida pessoal e profissional


Característica é vista como grande diferencial para as mulheres no setor de call center



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