VOI ou ROI?
Quanto está valendo a saúde dos colaboradores da empresa 06/11/2018 10:11
» Bruno Rodrigues
Autor: Bruno Rodrigues

No mundo dos negócios, muitas vezes o que se sobressai são os resultados financeiros. As vendas, novos clientes, lucros e investimentos são os assuntos que costumam contar mais para os executivos. Não é para menos que uma das métricas de negócio mais importantes para as empresas hoje em dia é o ROI (Retorno sobre o Investimento).

Mas existe outra métrica complementar ao ROI que pode ser muito relevante na análise de projetos nas empresas, principalmente aquelas preocupadas com transformações que poderão trazer resultados de médio prazo, como inovação, por exemplo: o VOI, que representa o Valor retornado do Investimento, ou, do inglês, Value on Investment. É sobre esta métrica que vou falar neste artigo.

A importância do ROI para as empresas
O ROI corresponde aos resultados de uma análise a fundo das características de cada negócio, das estratégias que melhor funcionam e daquelas que precisam ser adaptadas ou otimizadas. Esta é, portanto, uma métrica ótima para as empresas, mas existem projetos em que não é possível ter absoluta clareza de retorno de curto prazo, mas que ainda assim são relevantes para a empresa. E é nestes projetos que entra a análise de VOI, métrica de avaliação de projetos e investimento empresariais que tende a se converter em ROI conforme a empresa aumenta sua clareza dos ganhos do projeto. Geralmente o VOI analisa as perspectivas incertas antes do início de um novo projeto. Conforme ele evolui, sua mensuração pode ficar mais clara.

Podemos falar, por exemplo, de projetos altamente consolidados, como benefícios empresariais: Quanto retorna financeiramente para a empresa oferecer um bom plano de saúde corporativo ou um plano odontológico para os colaboradores? Podemos intuir que colaboradores saudáveis terão menores chances de se afastarem do trabalho, serão mais competitivos, dentre outros benefícios. Mas é difícil transformar isso em uma promessa financeira de retorno antes de efetivamente rodar o benefício, certo?

Outro exemplo pode ser a realização de pesquisas de clima organizacional. Quanto isso retorna financeiramente para a empresa? Entender as demandas dos colaboradores ajuda na retenção e na produtividade deles? Podemos imaginar que sim, até pelo fato de eles estarem sendo ouvidos e valorizados, mas é difícil precisar, novamente, um valor financeiro deste retorno. O que é importante de ser entendido aqui é que essa dificuldade de mensuração não torna esses projetos menos importantes para a empresa.

Ao analisar somente projetos que tenham ROI claro, podemos estar deixando grandes oportunidades de inovação e transformação mofando sobre a mesa. A inovação possui o risco, o intangível, mas lógico e racional. O ROI é analítico e matemático. A criatividade não necessariamente. Por isso, a importância de analisar o VOI.

O VOI importa, sim
Outro ponto importante relacionado a análise de VOI em projetos é que a rotina dos colaboradores pode ser exaustiva, dependendo da organização e de seus ideais de negócio. Dias com 10 a 14 horas de trabalho diárias, seja na empresa ou em casa, sugam a energia das pessoas fazendo com que atinjam pontos extremos. Desde o desenvolvimento de doenças, passando pela perda ou ganho excessivo de peso, até problemas de natureza emocional e psicológica como baixa autoestima, estresse, ansiedade, dificuldade de relacionamento social, pânico etc.

Os prejuízos dessa falta de compreensão dos limites dos colaboradores são muitos, e não somente para eles. Essas pessoas, após um longo período de desgaste, acabam precisando faltar ao trabalho por motivos de saúde ou sair mais cedo, cumprindo expedientes mais curtos do que o normal e, consequentemente, entregando menos resultados. Ou seja, ao cobrarem muito dos colaboradores e não buscarem alternativas para melhorar o ambiente, cultura e condições de trabalho, progressivamente, as empresas estão afetando seus próprios resultados. E é aí que entra a necessidade da análise de VOI.

Quanto vale a saúde dos colaboradores de uma empresa? Este é um dos principais questionamentos que permeia a discussão a respeito do VOI, conceito ainda subestimado no Brasil. Para ficar mais clara a diferença entre o VOI e o ROI, vamos pensar da seguinte forma: o ROI dá conta do retorno financeiro exato de um investimento feito em determinada estratégia. Já o VOI procura mensurar o valor retornado do investimento realizado, o que não deixa de estar incluído na definição de ROI, mas confere a esta métrica uma abordagem mais subjetiva e complexa de se mensurar com precisão, por tratar-se de pessoas. Medir o valor do investimento significa entender, por exemplo, quanto vale investir em iniciativas de bem-estar nas empresas para o melhor desempenho dos colaboradores e, consequentemente, dos negócios.

Ao cuidar da saúde nas empresas, aumenta-se a motivação, a permanência, a criatividade e a produtividade dos colaboradores. É isso que mostra uma pesquisa realizada pela Sodexo com gestores empresariais desete países, incluindo o Brasil. Na medida em que as empresas implantaram ou realizaram mais ações de melhoria da qualidade de vida na rotina dos colaboradores, 96% dos entrevistados alegaram que o clima do ambiente de trabalho melhorou, a retenção de talentos cresceu em 76%, a produtividade dos colaboradores aumentou em 86% e o índice de rentabilidade das empresas avançou em 70/%, resultados muito positivos tanto para a empresa quanto para os colaboradores.

Ainda de acordo com a pesquisa, algumas das medidas de qualidade de vida que mais trazem resultados são o apoio constante aos funcionários, mesmo que não haja relação direta com a empresa; as recompensas e reconhecimentos por desempenho; a contribuição e o acesso e estímulo a refeições saudáveis e balanceadas. Adotando estratégias como essas, as empresas podem ter excelentes resultados com projetos inovadores e, principalmente, voltados a área de pessoas, o que pode proporcionar uma força de trabalho mais saudável, engajada e produtiva, gerando assim melhores resultados e aumentando seus indicadores de sucesso.

Bruno Rodrigues é CEO da startup GoGood.

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