Dores e as delícias de ser um multitarefas
Há certo ou errado ao optar por levar essa característica para diversas dimensões da nossa vida? 22/06/2018 10:26
» Juliana Tonussi
Autora: Juliana Tonussi
 
No último almoço de família, me peguei intrigada com a forma que minha mãe cuidava de tudo e de todos. Enquanto ela fazia o arroz, me contava pequenas histórias da neta (minha filha), observava a massa no forno e pensava em qual travessa iria servir a sobremesa. Pensei: Nossa, a minha cabeça funciona exatamente assim! Não foi uma descoberta nem sobre minha mãe, nem sobre mim, mas me fez pensar nessa característica multitarefas que acabamos levando para diversas dimensões da nossa vida, como por exemplo o trabalho.
 
Eu sempre fiz tudo ao mesmo tempo. Enquanto escrevo esse artigo, estou com outro recém iniciado na página acima do meu Word. Essa facilidade ou talvez hábito de transitar entre uma tarefa e outra sempre pareceu me ajudar, tanto na carreira quanto na vida. Meu lema sempre foi "Antes feito que perfeito." E, quanto mais tarefas executadas, mais satisfação. Eu estava em paz com isso, mas há algum tempo comecei a questionar se eu colocava excelência no que estava fazendo, se não poderia me doar mais. E me entendam, estou falando sobre todos os tipos de atividade, desde cozinhar um jantar até fazer uma apresentação para o cliente.
 
Li muitos materiais exaltando a importância do foco, da concentração e de se fazer uma coisa de cada vez, e fiquei um pouco incomodada e confusa. Será que, por toda a minha vida, eu fiz errado? Será que, nessa ânsia de dar conta de muitas coisas, eu deixei de perseguir alguma vontade que resultou em um ser menos feliz e menos bem sucedido? Ou será que essa é uma característica que me ajudou a progredir?
 
Eu ainda sofro muito pra me concentrar em alguma tarefa por muito tempo. Esse artigo, por exemplo, teve muitas interrupções. Não foquei nele como principal atividade do momento, ele foi surgindo aos poucos, entre consultas às outras tabs do meu browser. Será que se eu tivesse me concentrado nele sem olhar pro lado, ele não seria muito mais popular, digno de um prêmio? Ok, está ficando chato, né?
 
Enfim, o que decidi e tento exercitar é escolher (muito bem) as atividades para as quais eu vou de fato me doar. Uma vez por mês posso me dedicar a fazer um almoço inesquecível para minha família, com ingredientes escolhidos cuidadosamente e  cujas dificuldades serão compensadas. Ou então posso passar um dia inteiro sem olhar meus e-mails e fazer um controle tão minucioso de rentabilidade dos nossos clientes que ganharia um bônus.
 
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Só escolha bem o que vale perseguir. Geralmente compensa.
 
Juliana Tonussi é diretora de operações da Agência ID\TBWA.

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